Acender ou ascender?
- Marco Goersch

- há 2 dias
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Na minha casa é comum, nos dias em que não temos compromissos, após o café da manhã, cantarmos cânticos espirituais, lermos as Escrituras e conversarmos sobre os mais diversos assuntos. Hoje, um dos temas que dominaram esse precioso momento foi como podemos nos elevar mais para sentirmos mais a Presença de Ha Shem, bendito seja Ele. Uma das constatações finais foi que, para que possamos nos elevar aos lugares mais altos, como aconteceu com Paulo em 2 Coríntios 12:2, precisamos descer aos lugares mais baixos. Mas que lugares (alto e baixo) são esses?
Não por acaso, nesta semana a porção lida da Torá é בְּהַעֲלֹתְךָ (Beha'alotechá), que quer dizer, literalmente, "quando fizeres subir" ou "quando elevares". Ué, mas na versão da minha Bíblia está escrito: "...quando acenderes..." Interessante trocadilho, mas não por acaso. Voltemos, por ora, ao alto e ao baixo. A elevação que Paulo experimentou, seu arrebatamento ou sua experiência espiritual no terceiro céu, deve ter sido algo tremendamente indescritível, pois ele relata ter ouvido palavras inefáveis, que ao homem não é lícito pronunciar. Interessante saber que os sábios da Torá falam da existência de sete céus. Isso mesmo, sete! São eles, do mais baixo para o mais elevado:
Vilon (וילון)
Rakia (רקיע)
Shechakim (שחקים)
Zevul (זבול)
Maon (מעון)
Machon (מכון)
Aravot (ערבות)
O que existe em cada um deles deixarei para outro momento. A questão é: como Paulo conseguiu alcançar tal experiência? A resposta é: pelo amor. Amor a D'us. Amor em sua forma mais perfeita, mais completa e mais espiritual. Amor que abre mão da própria vida, se necessário for.
Mas como pode algo aparentemente tão simples nos conduzir a algo tão maravilhoso? A verdade é que o amor não é apenas um sentimento, como ensinaram os gregos. O amor é uma decisão que se inicia no intelecto e molda toda a vida do indivíduo. Observe que Paulo, assim como outros que tiveram experiências semelhantes (como João em Patmos) abriu mão de sua própria vontade e passou a viver plenamente a vontade do CRIADOR. É o "negar-se a si mesmo" ensinado pelo Mestre YESHUA. Também encontramos esse princípio no conselho dado ao jovem rico: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e segue-me." Perceba a expressão: "se queres ser perfeito". A vontade de El Elyon é que renunciemos toda — sim, toda — a nossa própria vontade. Esse é o movimento para baixo. É o descer. É o prostrar-se. É abrir mão de nossas certezas e seguranças e ancorá-las somente nEle. Somente assim podemos nos elevar aos altos céus.
Assim, devemos acender ou ascender? Veja o que está escrito em hebraico:
דבר אל אהרן ואמרת אליו בהעלתך את הנרת אל מול פני המנורה יאירו שבעת הנרות
(Daber el Aharon ve'amarta elav beha'alotekha et hanerot el mul penei hamenorah ya'iru shiv'at hanerot.)
"Fala a Aarão e dize-lhe: Quando fizeres subir as lâmpadas, as sete lâmpadas iluminarão diante da face da Menorá." (Bamidbar 8:2)
A palavra Beha'alotechá deriva do verbo עלה (alah), que significa "subir" ou "elevar-se". Dessa forma, entendo que seguir as instruções do SENHOR é descer os níveis da minha própria vontade e subir os níveis da vontade do PAI. É fazer menos a minha vontade (ausência de luz) e mais a vontade dEle (fonte de luz). É óbvio que isso não é fácil. Existe uma guerra diária dentro de nós: a carne contra o espírito; a Nefesh Habahamit (alma animal) contra a Nefesh Elokit (alma divina). E só há uma forma de vencermos essa batalha: olhar para Aquele que anda no meio da Menorá (Apocalipse 1:12-13) e praticar os Seus mandamentos. Pois somente dessa forma demonstramos nosso amor: praticando os Seus mandamentos. E eles não são pesados, disse Ele. Ele, YESHUA, é a luz emanada do mundo mais elevado (Aravot) até este mundo físico em que vivemos (Vilon). Devemos ascender e acender. קומי אורי




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