top of page

A Escolha da Vida à Luz de Isaías 53

  • Foto do escritor: Marco Goersch
    Marco Goersch
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura
Pintura bíblica de Moisés diante do povo hebreu apontando para os montes Gerizim e Ebal, cenário da bênção e da maldição em Deuteronômio.
Pintura bíblica de Moisés diante do povo hebreu apontando para os montes Gerizim e Ebal, cenário da bênção e da maldição em Deuteronômio.

Suponhamos que o capítulo 53 de Isaías integrasse a haftará da parashat Reê, em vez de a sequência litúrgica prosseguir diretamente para o capítulo 54. Imagine a riqueza que seria poder fazer um midrash (uma investigação) de Devarim (Deuteronômio) 11:26 ao 16:17 combinando com o seguinte verso:


“Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.” (Isaías 53:8)


Ao ler os textos da parashat desta semana e da haftará, fico imaginando como comentaristas como Rashi, Ramban ou Ibn Ezra desenvolveriam esse diálogo entre essas passagens. Imagine também Hillel resumindo, em sua conhecida forma concisa, aquilo que mais tarde veríamos plenamente revelado na obra do Mashiach Yeshua! Certamente seria algo sublime, comparável, em profundidade, às reflexões que encontramos nos escritos de João e Paulo. Providencialmente, coube à nossa geração contar, primordialmente, com a graça do ALTÍSSIMO e com todo o conhecimento acumulado ao longo dos séculos para compreendermos quão profundas são as palavras das Sagradas Escrituras.


A parashat desta semana, Reê (Observe), inicia-se por uma máxima, entre tantas que amo, que poderia muito bem resumir toda a Torá:


“Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição.” (Deuteronômio 11:26)


ADONAI, quando formou o homem do pó da terra e soprou o fôlego de vida (נִשְׁמַת חַיִּים – nishmat chayyim), deu a Adão a capacidade de ser-lhe semelhante: decidir entre o bem e o mal, exercendo plenamente suas faculdades morais e espirituais por meio da liberdade de escolha – o tão discutido livre-arbítrio. E, como já conhecemos a história, sabemos qual foi sua escolha. Contudo, certas pessoas ousam pensar: “Se eu estivesse lá, teria feito diferente!”, “Adão não liderou a mulher!” Será?


O primeiro ponto a realinhar nosso pensamento com as Escrituras é que, se fôssemos nós no lugar de Adão, ou até mesmo no lugar de Eva, teríamos feito exatamente o mesmo. Não se espante; é exatamente isso. Somos filhos de Adão e Eva, semelhantes a eles em nossa condição humana e igualmente marcados pela inclinação ao pecado (yetzer hará). E qual o motivo da presunção de imaginar que agiríamos de maneira diferente? Orgulho, prepotência e soberba. Orgulho por pensarmos possuir algo de especial que eles não possuíam. Prepotência por acreditarmos estar acima deles. Soberba por julgarmos nosso caráter superior ao deles. Vejamos o que nos ensinou o Mashiach Yeshua:


“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos. E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.” (Mateus 23:29-31)


Yeshua está nos ensinando que jamais devemos alimentar a presunção de sermos melhores ou de que teríamos feito escolhas superiores às de nossos antepassados. Já ouvi alguns religiosos se gabarem de várias situações em seus vaidosos púlpitos. Não me arrisco a fazer o mesmo. Assevero que, se um dia escolhi o que é bom, foi pela graça do SENHOR, que derramou sobre mim Sua chochmá (lampejo de sabedoria divina), conduzindo-me a decidir pelo que é justo, belo e verdadeiro.


É justamente aqui que a conexão entre Reê e Isaías 53 se torna extraordinária. Em Deuteronômio, ADONAI coloca diante do homem a bênção e a maldição, chamando-o a escolher a vida pela obediência. Entretanto, a história bíblica demonstra que, repetidas vezes, a humanidade escolheu a maldição. Isaías 53 revela o Servo do SENHOR assumindo sobre si as consequências dessa escolha. Aquele que foi "atingido pela transgressão do meu povo" suporta a maldição para que o povo possa receber a bênção. Assim, a escolha entre bênção e maldição apresentada por Moisés encontra, na obra do Servo, seu mais profundo significado redentor.


Dessa forma, conclamo os leitores destas breves palavras a escolherem sempre a bênção declarada sobre o Monte Gerizim. Escolher a bênção é escolher obedecer aos ensinamentos da Torá e de Yeshua, o Verbo encarnado e a perfeita expressão da Torá. É por meio dEle, o Servo Sofredor do capítulo 53 de Isaías, que podemos escolher a bênção, escolher a verdadeira vida e permitir que o SENHOR escreva Sua Torá em nosso coração, concedendo-nos um coração circuncidado, conforme prometido pelos profetas. Essa é a Escolha da Vida à Luz de Isaías 53.

 

Comentários


BTY new logo WHITE.png

Casa de Oração Yeshua - Desde 2000, fazendo e ensinando

2024 © MINISTÉRIO BTY - Proibido reproduzir fotos ou textos

ministeriobty.com.br

  • Facebook
  • Instagram
  • Youtube
  • Soundcloud
  • Spotify
bottom of page