O Processo de Emancipação dos Hebreus e a Liberdade Espiritual
- Marco Goersch

- há 2 dias
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Após longa jornada de um povo escravizado de aproximadamente quatro milhões de pessoas, os Hebreus acampam às margens do rio Jordão, nas campinas de Moabe. Lá, Moisés resolve registrar de forma sumária as partidas ou as jornadas dessa longa viagem. Esse episódio ocorreu no quadragésimo ano desde a saída do Egito, como testifica o verso 38 do capítulo 33 de Bamidbar (Números), marcado pela subida do Cohen Gadol, Aharon (Arão), ao Monte Hor, conforme ordem de HaShem, para morrer no referido monte. Essa atitude de Moisés, bastante acertada, a meu ver, nos inspira a parar em certos momentos de nossa vida e fazer um balanço desde o momento em que O SENHOR nos libertou – nosso novo nascimento – e verificar se estamos seguindo rumo ao que nos foi prometido, pelo caminho correto.
As Parashiot dessa semana (Matot – tribos e Massêi – jornadas) são as derradeiras do livro de Números, livro este que narra os fatos da longa caminhada dos Hebreus desde o Sinai até as planícies de Moabe, às margens do rio Jordão. E o contexto era muito propício para uma introspecção: quarenta anos pelo deserto, morte de Arão, proximidade da Terra que O SENHOR prometera, enfim, o ambiente oportuno para fazer o que nós, militares, aprendemos quando não estamos nos localizando no terreno. Denominamos esse processo de ESAON (estacione, sente-se, alimente-se, oriente-se e navegue). Este processo, quando o relacionamos à vida cotidiana, evidencia a necessidade que cada um de nós tem de mensurar o quanto de nossos planos foi cumprido, o que ainda falta realizar e de que forma fazê-lo, se estamos no caminho correto, se a direção é a mais apropriada etc. Portanto, no dia que se chama hoje, aconselho que façamos esse tipo de balanço, essa checagem para verificar se estamos indo em direção ao que O ETERNO nos prometeu, seja um lugar, uma circunstância, um objetivo ou uma meta…
Nesse sentido, vêm-me à mente muitas questões. Uma, porém, quero citar aqui para que possamos meditar. Um dos motivos de ADONAI ter libertado o seu povo do Egito foi simplesmente dar-lhes a liberdade. Neste caso, é muito óbvio visualizar o processo de emancipação dos Hebreus, pois esse povo era, sem sombra de dúvidas, escravizado. Contudo, hoje, para você que lê esse texto, talvez seja difícil sentir essas amarras, visto que não existe, em tese, escravidão em larga escala como aquela. Mas, quando falamos em liberdade, há muito a ser questionado. Para um certo filósofo, a liberdade seria alcançada pela “emancipação humana”, um projeto revolucionário de superação da alienação e das desigualdades. A ironia é que, hoje, os regimes políticos mais opressores se utilizam das ideias desse dito filósofo para oprimir seus povos. Mas então, do que devemos, ou ainda, como podemos nos libertar? Somos escravos ou somos livres? Precisamos e queremos a liberdade espiritual
É fato que a liberdade é um conceito bem abrangente, do qual até os maiores opressores se utilizam para poder escravizar e oprimir pessoas. Esse opressor pode ser um ditador, um político, um comandante, um chefe, um pai ou até mesmo um cônjuge. Sim, um cônjuge. Não duvide da capacidade de ninguém de oprimir. As Escrituras nos mostram do que devemos ser livres, e não é demais relembrar: devemos ser livres do pecado, o pecado que domina nossas vontades. É a maior guerra que alguém pode enfrentar: ser livre de parte de si, livre dos desejos da carne, livre dos sentimentos que até dão prazer, mas cuja prática contumaz leva à morte. Livres do medo, que aprisiona e limita; livres da falta de fé (isto é, da falta de fidelidade aos ensinamentos que ADONAI prescreveu); esse é o objetivo último do processo de libertação e, talvez, o mais difícil. Pois essa libertação de algo que habita em nós só pode ser realizada por quem conhece profundamente o ser humano, o D’us que o criou. Ele sabe exatamente onde tocar, o que falar, como agir para que sejamos livres de nós mesmos, livres do pecado que tão de perto nos rodeia. E quem pode nos salvar de tamanho cárcere? Yeshua, o Filho do D’us vivo. Pois a Ele foi dado todo poder. Todo joelho se dobrará diante d'Ele, e toda língua confessará que Yeshua é o Senhor. Aos seus pés todos se prostrarão, cedo ou tarde — ainda que, para alguns, tarde demais. Hoje ainda é tempo de escolher a verdadeira liberdade.




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